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A irresponsabilidade na posse dos animais não é privilégio
das classes menos favorecidas. Alguns moradores de favelas, até procuram
amenizar o problema dos animais abandonados, adotando-os e levando-os para
a comunidade.
A aplicação de uma política nacional que vise controlar a superpopulação, implantando leis que especifiquem as responsabilidades do dono, somada a um eficiente trabalho desenvolvido pela vigilância epidemiológica, garantiria uma melhor qualidade de vida a todos. A falta de união
entre as associações protetoras,clínicas veterinárias
e órgãos públicos, permitiu que a população
canina brasileira ultrapassasse os 5 milhões de animais, limite
recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Para
controlar o risco de doenças e ataques, o correto é a presença
de um cão para cada dez habitantes. Na cidade de São Paulo,
existem 1.300.000 cães, o equivalente a um por oito habitantes.
Os Estados do centro-oeste tem a média de dois cães para
cada dez pessoas. Os Estados do sul são os únicos adequados
a recomendação da OMS. |
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Existe um mito que todos os cães devem procriar pelo menos uma vez para que eles permaneçam sempre saudáveis. Na realidade, a fêmea esterilizada reduz a chance de desenvolver câncer de mamas e infecções no útero e os machos de se envolverem em acidentes de trânsito, brigas e mordeduras. O macho não castrado torna-se mais violento e propenso ao ataque e à transmissão de doenças contagiosas. No Brasil, a cada
criança que nasce, nascem 15 cães e 45 gatos. Os abrigos não representam a melhor opção e, sim uma forma de armazenar o problema, sem poder, nem a curto ou longo prazo, encontrar uma solução.
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Adotar
um animal exige responsabilidade do dono e um compromisso com a vida deste
ser indefeso. O abandono precisa ser encarado como um ato desprezível.
O trato dispensado ao animal deveria caracterizar o perfil do caráter
da pessoa. Quem o maltratasse deveria ser marginalizado pela sociedade.
Somente o idealismo não é suficiente para encontrarmos o melhor caminho. Precisamos agir e cobrar um programa humanitário nas escolas, uma campanha de conscientização para que a população saiba como evitar a procriação e a comercialização indiscriminada de filhotes. Os animais não podem pagar com a vida o preço da incoerência humana. No passado, eles foram trazidos para nossa sociedade e hoje não queremos assumir as conseqüências deste ato. A posse deve ser
responsável. |
| Vininha F. Carvalho
Vininha é colaboradora do Kennel e Vice presidente da Liga de Prevenção a Crueldade Contra o Animal |